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Trabalho escravo | 50 milhões de vítimas do trabalho escravo: não é possível uma saída pelo capitalismo

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgou neste dia 12 de setembro dados alarmantes sobre a explosão do trabalho análogo à escravidão, constatando seu aprofundamento nos últimos 5 anos, em especial após 2020-2021, com a pandemia do coronavírus. Uma prova de que não existe saída pelo capitalismo para a classe trabalhadora!

terça-feira 13 de setembro | Edição do dia

Fotografia: Mario Tama/Getty Images
O levantamento corresponde a todos os continentes e aponta que em 2016, 10 milhões de pessoas extras foram acrescentadas como vítimas de trabalho escravo. A OIT avalia que o quadro se intensificou, aumentando a exploração através da crise sanitária diante do crescimento da dependência dos trabalhadores. 2021 contou com 28 milhões de pessoas em situação de trabalho forçado, com 3,3 milhões de crianças estimadas por exploração do trabalho e sexual. É inegável que a crise sanitária atingiu em cheio a classe trabalhadora, mas é fundamental destacar que enquanto milhares de pessoas, em especial negros e pobres trabalhadores, morriam nas filas dos hospitais ou estiveram na linha de frente sem condições de segurança devida ou sequer o direito ao isolamento, foram diversos empresários pelo mundo que enriqueceram às custas dos últimos suspiros das vítimas, não só do COVID-19, mas da irracionalidade capitalista.

A "escravidão moderna" está presente em quase todos os países do mundo, incluindo os de renda média-alta, tendo como seu principal responsável o setor privado, contando com a agricultura e construção civil como ramos detentores de grande parte dos casos. Estima-se que 14% dos casos estejam vinculados ao estado.

Mulheres e crianças estão entre as vítimas mais vulneráveis e os imigrantes têm três vezes mais chances de serem vítimas. Além disso, os dados absurdos sobre os casamentos forçados revelam 6,6 milhões de aumento entre 2016 e 2021, somando 22 milhões no ano passado. Ainda assim, a OIT destaca que podem ser números subestimados, alertando que a situação pode ser ainda pior, com a Ásia responsável por 65% dos casos, cinco pessoas a cada mil vítimas nos países árabes. Nas Américas são 5 milhões de vítimas, com 3,3 milhões submetidas ao trabalho forçado e a outra parte em casa. Os dados vinculados às opressões revelam o quanto estas estão na base de sustentação do capitalismo, que cerceia a vida de milhões de pessoas em troca dos lucros de poucos. Os casamentos forçados são a prova mais dura da presença do patriarcado como pilar dentro do sistema capitalista

O diretor-geral da OIT, Guy Ryder se surpreende com os dados e coloca ser “chocante ver que a situação da escravidão moderna não esteja melhorando”. “Nada justifica isso”. Mas será que a cena não se justifica? As promessas neoliberais de prosperidade a partir das iniciativas individuais cai por terra diante desse dado absurdo e escancara a realidade da exploração extrema da força de trabalho! No Brasil, Bolsonaro dificulta diretamente a fiscalização do trabalho escravo e dá continuidade à reforma trabalhista aprovada ainda no governo Temer, apontando para relações harmônicas entre trabalhadores e empregadores, capazes de decidirem sobre os direitos dos primeiros, uma falácia que tenta esconder a base perversa do capitalismo através da exploração. O aumento da terceirização iniciado nos governos Lula e Dilma também é a cara do trabalho semi-escravo, sem garantia de direitos. O país que segue sendo extremamente racista e misógino, segue sua tradição precarizando e interrompendo a vida da classe trabalhadora!

Esse dado absurdo deve servir para que as centrais sindicais, a CUT (PT) e a CTB (PCdoB) rompam com sua paralisia e convoquem trabalhadoras e trabalhadores, empregados e desempregados, terceirizados e efetivos, juntos aos estudantes (UNE e entidades estudantis de base), para fazerem frente contra o trabalho escravo, buscando alternativas a partir da auto-organização da classe trabalhadora que tudo produz, defendendo o trabalho em 30 horas semanais, 6 horas por dia, sem redução de salários, com as horas divididas entre empregados e desempregados, assim como a revogação de todas as reformas, incluindo a reforma trabalhista e da previdência, que querem que negociemos com patrão e trabalhemos até morrer.




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