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USP | Abaixo as demissões das terceirizadas da Faculdade de odontologia da USP

No mês de julho deste ano, houve um processo de licitação para a contratação de uma empresa terceirizada de higienização e limpeza para a Faculdade de Odontologia da USP. Com a oferta de 2,9 milhões de reais feita pela Faculdade, a empresa INTERATIVA, que atualmente oferece seus serviços na faculdade saiu vitoriosa, oferecendo 2,2 milhões de reais ao ano.

terça-feira 9 de agosto | Edição do dia

Foto: Estadão

No entanto, ao invés de manter o atual quadro de funcionárias, 50 trabalhadoras, a empresa propõe reduzir para 41, ou seja, uma redução de 20% dos postos de trabalho sem alteração alguma na área a ser limpada. Para as trabalhadoras demitidas, que são majoritamente mulheres negras e chefes de família, significa perder a única fonte de renda para sustentar suas famílias em meio a inflação galopante e desemprego. As que ficarem, vão trabalhar muito mais, sujeitas a exposição a infecções e doenças, assédio moral e precarização. Tudo em nome dos lucros dos patrões, donos dessas empresas terceirizadas.

Reproduzimos abaixo o panfleto elaborado pelo Movimento Nossa Classe e o grupo de mulheres Pão e Rosas, denunciando esse absurdo

ABAIXO AS DEMISSÕES NO QUADRO DE LIMPEZA DA ODONTO!!!

No mês de julho houve um processo de licitação para renovação do contrato de limpeza da FOUSP. Com a oferta de 2,9 milhões de reais pela Faculdade, a empresa INTERATIVA, que é hoje a responsável pelo contrato, saiu vitoriosa, oferecendo 2,2 milhões de reais ao ano.

Mas o que significa vencer o processo de licitação?
Significa que, de todas as empresas que participaram do processo, ela foi a que se dispôs a receber o menor valor de contrato. Isso significa que a Universidade Pública vai repassar todo ano 2,2 milhões de reais para que um Empresa Privada cumpra as funções de limpeza da Faculdade de Odontologia.

Hoje, para dar conta de todo o espaço da Faculdade, e as suas especificidades ligadas à área da saúde, como os laboratórios e clínicas, são necessárias 50 funcionárias, incluindo limpadores de vidro.

Porém, agora, a INTERATIVA alega que diante do baixo valor do contrato não é possível seguir com esse número de funcionários, e está propondo reduzir o quadro para 41 funcionárias, transferindo e demitindo as trabalhadoras!

Mas vejamos bem essa alegação.
Cada trabalhadora terceirizada da limpeza custa aproximadamente R$3.000,00 por mês (incluindo aqui FGTS, insalubridade, descontos previdenciários, vale-transporte, vale-refeição, uniforme e demais encargos trabalhistas). Em 12 meses, essa funcionária custa R$36.000,00 para a empresa. Então, 50 funcionárias custam em média 1,8 milhões ao ano para a empresa INTERATIVA.

Logo, a cada mês a empresa retira R$33 mil reais… de lucro! de um contrato como esse na Faculdade de Odontologia. Isso considerando a manutenção das 50 trabalhadoras. Com a redução do quadro, esse lucro aumenta ainda mais. É bastante evidente que o que a INTERATIVA quer com essa demissão é aumentar sua margem de lucro, sobre o lombo das trabalhadoras terceirizadas.

A Administração da FOUSP alega que a Reitoria impede que a Unidade garanta um número fixo de trabalhadoras em quantidade, mas sim em área quadrada a ser limpa, baseado em um cálculo do governo do Estado. Ou seja, Reitoria e Governo do Estado atuam juntos para favorecer os empresários e prejudicar os trabalhadores.

Já tivemos uma experiência durante três meses, há quase 05 anos atrás, quando a INTERATIVA venceu pela primeira vez o contrato, e reduziu o quadro para 36 trabalhadoras. Várias áreas da Faculdade ficavam sujas, as aulas clínicas atrasavam, porque era humanamente impossível que as trabalhadoras garantissem a limpeza de toda essa Faculdade e a agilidade na limpeza durante as trocas de período nas Clínicas com essa redução do quadro. Muitas adoeceram e tiveram que se afastar, o assédio moral era gigante para que elas dessem conta do serviço, e mesmo com toda essa pressão e exploração sobre elas, era impossível!

Hoje, ainda vivemos nos ecos da pandemia de COVID-19, a limpeza segue sendo ainda extremamente fundamental, ainda mais em um ambiente hospitalar e clínico. Em uma situação como essa, as chances de aumento de casos de infecção hospitalar e de doenças adquiridas no atendimento é mais do que evidente! Quem vai assumir o risco? Quem vai se responsabilizar por essa situação?

A Administração da FOUSP precisa reverter esse quadro!
Estamos vivendo a pior situação econômica do país em vários anos, o desemprego bate recordes, vemos pessoas se acotovelando em filas pra comprar osso! Agora, a empresa que presta serviço pra Faculdade quer colocar na rua várias mulheres, mães e arrimos de família, muitas já com a idade avançada e com problemas de saúde adquiridos durante vários anos trabalhando para essa Faculdade! A Administração tem a obrigação de garantir que não haja essas demissões!

De acordo com a Lei de Licitações, a contratante pode acrescentar até 25% a mais do valor do contrato como aditivo para a garantia do serviço. A FOUSP disponibilizou 2,9 milhões na licitação, a INTERATIVA ofereceu 2,2 milhões. Existem R$700 mil disponíveis para um aditamento. Um aditivo de contrato poderia garantir a manutenção do quadro das trabalhadoras da limpeza e não significaria nenhum ônus para a Faculdade, já que o uso desse dinheiro já era esperado. Sendo assim, se essa situação se mantiver, a Administração da Faculdade também estará sendo responsável por não manter o emprego destas trabalhadoras!




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