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CPI COVID

CPI da Covid expõe degradação de todo o regime político: é necessário uma nova constituinte

Enquanto assistimos a bate-bocas entre os distintos setores do regime político nas reuniões da CPI da Covid que não questionam como chegamos até aqui, a vida da maioria trabalhadora segue sendo precarizada cada vez mais, sofrendo com a Covid, o desemprego e a fome.

sexta-feira 14 de maio| Edição do dia

Renan Calheiros e Flávio Bolsonaro (Imagem: Reprodução)

Nos últimos dias muito se comenta sobre as reuniões da CPI da Covid e suas discussões acaloradas entre os distintos setores do regime político, o bolsonarismo, seu governo, família e ministros, e de outro lado uma suposta “oposição” composta por setores do STF e Senado. A população trabalhadora fica então de espectadora do bate-boca institucional, enquanto cada vez mais sofre com a miséria de vida, desemprego, coronavírus e fome.

Na quarta-feira, a sessão da CPI da Covid foi das que mais gerou repercussão, após o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos), filho do presidente que não faz parte da Comissão, xingar de “vagabundo” o relator da CPI, Renan Calheiros (MDB), causando a suspensão da sessão.

As discussões, xingamentos e bate-boca em reuniões do alto escalão político são um jogo de cena para desgastar Bolsonaro, mas seguir protegendo os lucros e o regime político. São uma das amostras da podridão deste regime e seus distintos setores que, como em briga de irmãos, tentam se diferenciar e comprovar quem está mais certo.

Com a CPI da Covid e as recentes sessões, vemos o bolsonarismo tentando se esconder de toda a escandalosa condução da pandemia, em que condenou milhares à morte e ao desespero. Entretanto, as já 430 mil mortes por Covid-19 e toda situação de desemprego e fome são também responsabilidade do outro setor que quer se pintar como oposição que faz “justiça”, como Calheiros, parte do STF, Centrão e Congresso.

Leia mais: A CPI não é pra salvar vidas, é pra salvar o regime do golpe

Buscam pintar Bolsonaro como o único culpado, quando todos estiveram aliados para implementar as reformas da previdência e trabalhista no pós golpe de 2016. Durante a pandemia aprovaram diversas medidas provisórias que beneficiaram os patrões, cortando salário dos trabalhadores que tiveram que cada vez mais recorrer a postos precários expostos ao vírus. Foi também durante a pandemia que o Senado aprovou a PEC Emergencial, que congelou o salário de todos o funcionalismo, incluindo o da saúde, por 15 anos. Juntos apoiaram e implementaram ataques à saúde pública (como a lei do teto de gastos que afeta também o SUS), com políticas de condução da pandemia que não apresentavam um programa de emergência pra situação.

Nós, do Esquerda Diário, desde que anunciaram a conformação da CPI da Covid, colocamos os perigos e interesses por trás de setores do regime político em criar e encabeçar a Comissão, buscando fazer com que o desastre da atual situação que atravessamos no país seja atribuído somente ao bolsonarismo, mantendo a legitimidade de instituições como o Congresso, Senado, STF, governadores e a imprensa.

É por isso que os partidos, movimentos e forças progressistas, não podem seguir apostando todas suas fichas na confiança de uma CPI que pra fora aparecem como setores adversários que conflitam e são irreconciliáveis. Mas que basta olhar para além do bate-boca, vemos como em momentos cruciais, para definir os rumos do país, estiveram de mãos dadas.

É preciso que esses partidos não se subordinem aos setores golpistas que tentam aparecer como oposição racional com teatros para desgastar o presidente. Para colocar abaixo todo o regime do golpe e seu legado de ataques e precarização da vida, é preciso confiar nas forças da maioria trabalhadora, na mobilização independente dos trabalhadores, exigindo que as centrais sindicais, como CUT e CTB, dirigidas pelo PT e PCdoB, rompam sua paralisia atual, deixando de ficar à espera de 2022 fazendo o governo Bolsonaro sangrar com medidas como a CPI, enquanto a população morre de fome e de Covid.

Através da mobilização independente dos trabalhadores é possível batalhar por uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana que coloque o povo para decidir os rumos do país, revogando todas as reformas implementadas e aprofundadas com o golpe de 2016, todas as leis reacionárias e heranças da ditadura militar, mudando todas as regras do jogo para impor um governo de trabalhadores que atenda aos interesses e necessidades da maioria e não de um punhado de setores e instituições que brigando entre si, fazem chacota de nossas vidas, nos reservando miséria, enquanto preservam e aumentam seus privilégios e aprovam todos os planos de ajuste que lhes convêm.

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