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Argentina | Declaração: o PTS repudia o atentado contra Cristina Kirchner

Reproduzimos abaixo a declaração da Comissão Política do PTS, organização irmã do MRT na Argentina, condenando o ataque à vice-presidente Cristina Kirchner, exigindo esclarecimento e tomando uma posição sobre a mobilização convocada para esta sexta-feira por Alberto Fernandez.

sexta-feira 2 de setembro | 12:51

Declaração da Comissão Política do PTS em repúdio ao ataque contra Cristina Kirchner e para esclarecimento imediato.

Neste momento, a tentativa de ataque contra Cristina Kirchner se tornou uma comoção nacional. Os eventos, que são de conhecimento público, aconteceram nesta quinta-feira à noite. O agressor foi identificado como Fernando André Sabag Montiel e, de acordo com as primeiras informações divulgadas, ele usa tatuagens ligadas à simbologia de extrema-direita. Os eventos ocorreram no contexto da forte tensão política e das mobilizações convocadas após o pedido do promotor Diego Luciani por 12 anos de prisão para Cristina Kirchner e a proibição da atual vice-presidente de exercer cargos públicosem função do inquérito sobre corrupção em obras públicas viárias. Temos denunciado nestas páginas, e ressaltado, que a corrupção não pode ser enfrentada por meio da perseguição política da casta judicial.

A partir da esquerda, o PTS, através de suas principais figuras públicas, saiu rapidamente a condenar o ataque a Cristina Kirchner, e exigir o esclarecimento imediato do que aconteceu. A deputada federal Myriam Bregman disse em seu Twitter: "todo nosso repúdio ao atentado contra Cristina Fernández de Kirchner". Por sua vez, Nicolás del Caño fez o mesmo ao comunicar "nosso repúdio ao ataque com uma arma de fogo contra a vice-presidente CFK". Alejandro Vilca, também deputado federal, também expressou seu "mais enérgico repúdio ao ataque à vice-presidente CFK". Expressões no mesmo sentido foram feitas pelas outras partes que compõem a Frente de Izquierda Unidad.

Na mesma tradição do marxismo revolucionário, nós do PTS condenamos esta tentativa de assassinato sem hesitar um momento. Nosso mais enérgico repúdio e exigência de esclarecimento não nos leva, entretanto, a ser parte da convocação do governo para a marcha desse sexta-feira, feita pelo presidente Alberto Fernández em rede nacional (chamado replicado pelas direções sindicais e estudantis oficialistas).

Em sua breve mensagem, o presidente disse que estava decretando um feriado nacional para que "em paz e harmonia o povo possa se expressar em defesa da vida, da democracia e em solidariedade com nossa vice-presidente". Ele também apelou a "todos e cada um dos homens e mulheres argentinos, todos os líderes políticos e sociais, a mídia e a sociedade em geral a rejeitar qualquer forma de violência".

Rechaçamos a tentativa de fazer uso político do justo repúdio ao ataque para chamar à unidade nacional (em nome da defesa da "paz social e da democracia"), ou seja, da unidade entre aqueles que sofrem um ajuste brutal e aqueles que o aplicam, chamando os trabalhadores e o povo pobre a concordarem com os partidos do regime capitalista e as câmaras empresariais que exploram, precarizam, despedem e condenam o país ao atraso e à subordinação.

Na boca de Alberto Fernández, o apelo à "paz social" não significa outra coisa senão o apelo à conciliação com o governo, com a oposição de direita e os empresários, ou seja, com aqueles que hoje estão realizando os fortes planos de ajuste exigidos pelo FMI, e com Sergio Massa à frente do Ministério da Economia. São eles que, continuando o trabalho de Mauricio Macri, levaram a Argentina ao atual desastre social com mais de 17 milhões de pessoas abaixo da linha de pobreza e uma inflação que atinge os bolsos populares, enquanto continuam legitimando o esquema da dívida pública ilegal, beneficiando os empresários com benefícios fiscais e com lucros incomensuráveis as empresas privatizadas, os latifundiários, os especuladores.

Como PTS, não defendemos esta "harmonia" na qual os mercados e os poderosos votam todos os dias, mas o povo trabalhador passa fome, quebrando todas as promessas feitas a eles. Por estas razões, expressamos nosso mais enérgico repúdio ao ataque e exigimos seu esclarecimento, mas ao mesmo tempo dizemos muito claramente que não marchamos pela "harmonia" com os partidos do regime capitalista que aplicam os planos do FMI, nem com os patrões exploradores.




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