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Em meio a crise de Manaus, rodoviários entram em greve contra atraso dos salários

94 linhas pararam desde cedo por iniciativa dos próprios trabalhadores, indignados com o atraso nos salários e tickets de alimentação diante de uma alta da pandemia de Covid-19 que varre a cidade, tomando a vida de muitos colegas, familiares e usuários.

sexta-feira 5 de fevereiro| Edição do dia

Foto: Lane Gusmão/Rede Amazônica

Os trabalhadores rodoviários de Manaus paralisaram o serviço de transporte público da capital nesta quinta-feira (4). Eles reclamam de atrasos nos salários e nos benefícios acordados no dissídio, como o vale-alimentação. A iniciativa veio da própria base da categoria, que decidiu não informar a atual direção do sindicato diante das experiências de traições anteriores.

Segundo a patronal (Sinetram - Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas), hoje, por volta de 75% da frota ficou na garagem. Em dezembro, semelhante ao que ocorreu no Rio, atrasos no 13º já haviam levado a categoria a realizar uma paralisação de 30% da frota.

Enquanto as empresas lucram milhões com um serviço de transporte público precário e operando em condições insalubres diante do vírus e do colapso do sistema de saúde do município, atrasam os salários de trabalhadores que estão na linha de frente da economia, transportando diariamente a população e fazendo a cidade funcionar em meio ao caos. São diversos os relatos de óbitos de rodoviários que podem ser encontrados nas redes sociais, escancarando ainda mais a podridão cínica do empresariado.

A luta dos rodoviários de Manaus não vem de hoje. De 2017 a 2018, um processo de lutas com mais de 70 paralisações, que culminou em uma histórica greve de 7 dias contra a dívida de R$ 16 milhões das empresas com os trabalhadores, foi enterrado pelo sindicato (STTRM, ligado à CTB) após o Tribunal de Justiça, em conluio com os empresários, impôr medidas contra os trabalhadores grevistas.

Mesmo se tratando de um negócio essencial e milionário, o município de Manaus paga subsídios em duas parcelas aos empresários dos transportes, que não deixam de descarregar a crise nas costas dos trabalhadores e usuários na primeira oportunidade. Encontramos situações semelhantes sendo levadas adiante pelos tubarões dos transportes por todo o Brasil, como no Sul, em Porto Alegre, onde buscam atacar os trabalhadores, privatizar a empresa pública Carris e elevar a passagem à R$ 7,00.

São ataques contra rodoviários, mas também contra os trabalhadores e a população pobre em geral, através de serviços caros e precários, com lucros embolsados também em licitações fraudulentas, isenções fiscais, subsídios e sonegações de impostos milionários, garantidos com o apoio da corja política criminosa. A luta dos rodoviários de Manaus é um grande exemplo para todos os rodoviários e demais categorias de trabalhadores do país, que vêm sofrendo não só com o vírus e a incompetência de Bolsonaro, das instituições golpistas (militares, legislativos e judiciários) e dos governadores, mas também com demissões e duros ataques dos empresários.

Enquanto eles lucram, Manaus asfixia com uma política destrutiva, com o sistema de saúde colapsado e em falta de oxigênio, como vimos escancarado nas redes sociais. A indignação da categoria também é reflexo disso. Como reivindicamos em nosso editorial:

Em meio a organização da nossa luta contra todos os ataques, lutemos para levantar a defesa de nossos irmãos e irmãs de classe em Manaus, de toda a população pobre que sofre as consequências da política desses governos e demonstremos que se fossem os trabalhadores que gerissem toda a economia da região as vidas ceifadas em Manaus teriam sobrevivido, porque os trabalhadores controlando a economia iriam garantir os recursos e insumos necessários para enfrentar essa situação.

A organização dos trabalhadores mostra o caminho. Só a luta pela completa estatização dos transportes, sob controle de rodoviários e usuários, pode garantir trabalho digno e um transporte público barato e de qualidade, rompendo com a lógica do lucro dos patrões. Para além disso, para enfrentar a pandemia, é essencial romper com as ilusões em alianças com nossos inimigos, como foi a fracassada frente ampla com participação do PSOL para eleger Baleia Rossi na Câmara. As categorias em luta, os sindicatos que se reivindicam classistas e os partidos de esquerda devem exigir das grandes centrais sindicais um plano de luta em resposta emergencial à Manaus, como parte de uma saída global à crise econômica, sanitária e política. Nossa classe unida pode fazer história, defendamos nossas vidas e façamos com que sejam os capitalistas que paguem pela crise.




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