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Que a comunidade universitária decida! | Estudantes fazem ato pelo retorno presencial seguro na UnB. Só nossa mobilização pela base pode garanti-lo

Ontem, 30, ocorreu um ato de estudantes da UnB em frente à Reitoria pelo retorno presencial seguro. Hoje, 31, o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE) se reúne para debater se o retorno se dará no próximo semestre com início em junho. A única forma de garantir um retorno presencial verdadeiramente seguro, em defesa da educação pública de qualidade e pela permanência estudantil plena, onde nenhum estudante, trabalhador ou professor fique para trás, é a partir da nossa mobilização pela base para que a comunidade universitária decida de forma democrática como ele se dará.

Luiza EineckEstudante de Serviço Social na UnB

quinta-feira 31 de março | Edição do dia

O que está em debate hoje na reunião do CEPE é o avanço para a “ETAPA 3” do plano de retomada das aulas presenciais na UnB para o próximo semestre, que terá início em junho. Essa etapa consiste no retorno de todas as disciplinas de forma presencial, sendo ofertadas de maneira remota apenas excepcionalidades. Cabe ressaltar que esse plano de retomada não foi debatido e elaborado em diálogo com os estudantes, muito menos com o conjunto da comunidade universitária em nenhum momento. O CEPE, a administração superior e a Reitoria tomaram decisões em base aos seus interesses desde o início da pandemia.

Não à toa o Ensino Remoto foi adotado de maneira burocrática e autoritária como maneira de descarregar a crise nas costas dos estudantes, trabalhadores e professores, com a precarização do ensino, do trabalho e da permanência estudantil. Isso não está descolado do projeto para a educação elitista e negacionista de Bolsonaro e Mourão. Vimos cortes bilionários no orçamento, ataques, um entra e sai de ministros a todo vapor que mostra como o Ministério da Educação é um balcão de negócios do bolsonarismo. Sua última figura reacionária, Milton Ribeiro, que caiu tarde, expressou muito bem isso com o escandaloso áudio vazado dizendo que prioriza a liberação de verbas para amigos de pastores. Um completo absurdo.

A defesa pela educação pública, de qualidade e para todos, assim como a defesa da ciência, é uma bandeira que levantamos fortemente contra o bolsonarismo, mas que também deve nos levar a questionar o caráter das universidades dentro do capitalismo. Inclusive, dentro dos governos reformistas que pretendem administrar esse sistema como é o PT.

Queremos uma universidade radicalmente diferente, onde todo o conhecimento esteja à serviço das necessidades da população e dos trabalhadores, e não aos lucros capitalistas. E, por isso também, precisamos questionar a estrutura de poder (Reitorado) das universidades, visto que as Reitorias junto das burocracias universitárias levam a frente esse projeto, aplicando os cortes, ataques, que atingem principalmente os setores mais precarizados das universidades, como são as trabalhadoras terceirizadas e os estudantes que recebem a permanência estudantil.

É, nesse sentido, que abrimos um diálogo com as correntes de esquerda que estão em diversos Centros Acadêmicos e no DCE, especialmente com o Juntos que também dirige o CA de Serviço Social (CASESO), que não podemos limitar nossa luta a protocolar cartas - como foi ontem - pelo retorno presencial seguro à essa mesma Reitoria, de Márcia Abrahão, e administração superior, que demitiu mais de 90 terceirizadas da limpeza em janeiro. Que deixou mais de uma trabalhadora morrer de COVID por seu descaso racista, enquanto gerenciava o déficit orçamentário com precarização do ensino, do trabalho do professor, dos técnicos e terceirizados.

Para além dos cortes na permanência, que estão fazendo com que vários estudantes que conseguiram furar o filtro social e racial que é o vestibular, tenham que trancar seus cursos, voltar para suas cidades pela crise de moradia estudantil, vale-alimentação etransporte. Muitos estudantes não estão conseguindo a assistência pela insuficiência de bolsas, e se conseguem é um valor muito ínfimo, visto que não estão sendo reajustadas de acordo com a inflação e nem com o valor do salário mínimo previsto pelo DIEESE. São esses problemas que os estudantes estão enfrentando de maneira mais forte desde o início da pandemia, e que enfrentaremos isso mais diretamente com o retorno presencial, como já está sendo em diversas universidades pelo país. E, precisamos nos armar para isso.

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A garantia pelo retorno presencial seguro, pela permanência plena para toda a demanda e contra a precarização do ensino e trabalho, só pode vir a partir da nossa mobilização junto dos trabalhadores e professores. Nos apoiando na luta dos estudantes da medicina que ocuparam um prédio em nossa universidade contra a precarização do ensino, na luta dos estudantes do direito. Nesse sentido, é fundamental que sejam convocadas assembleias de base em cada curso para debater como se dará o retorno, e também, para construir esses atos e a sequência de nossa luta pela base, pois perdemos força se não são construídos com o conjunto dos estudantes e trabalhadores e ficam apenas em divulgações dispersas em grupos e contas no instagram em cima da hora.

É nessa unidade e em nossa luta que podemos confiar, tomando como exemplo as lutas que ocorrem pelo país como os trabalhadores da educação de MG, dos metroviários de BH, dos garis e rodoviários do Rio, as paralisações dos entregadores de aplicativo em várias cidades pelo país, e outras categorias. Eles sim mostram o caminho para que sejam os capitalistas que paguem pela crise e não nós, estudantes e trabalhadores.

Nenhum estudante, trabalhador e professor fica para trás! Em defesa da educação pública: batalhar pelo retorno seguro decidido pelas comunidades universitárias! Por assembleias de base em cada universidade. Fora Bolsonaro e Mourão. E pela revogação de todos os cortes e ataques.

Confira nossa intervenção no ato de ontem:




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