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Eleições 2022 | “Eu não falo em rever privatização” diz Lula em entrevista à CNN

Nos últimos quatro anos, Bolsonaro junto a Paulo Guedes e o Congresso Nacional, levaram adiante a privatização de 36% das estatais brasileiras, sendo a última a Eletrobrás, precarizando serviços, aumentando o controle do capital financeiro internacional e despejando ainda mais a crise nas costas do povo trabalhador. Lula afirmou em entrevista à CNN que não fala em rever privatização

Marie CastañedaCoordenadora do CACS Marielle Franco da UFRN (Ciências Sociais)

quarta-feira 14 de setembro | Edição do dia
Imagem: Reprodução/CNN

Bolsonaro e Guedes privatizaram mais de um terço das estatais brasileiras e teriam ido por mais se dependesse exclusivamente da vontade destes. O entreguismo da economia nacional ao capital privado e imperialista sempre foi marca registrada do plano econômico de Bolsonaro, lambe botas do imperialismo norte americano que bate continência para a bandeira estadunidense.

Porém a afirmativa de Lula na CNN, de que não irá rever as privatizações, também não é uma novidade nos seus planos, ainda mais com Alckmin como candidato à vice-presidência. Ainda assim, com a proximidade da eleição, até mesmo o tom brando utilizado anteriormente para aparentemente impor limites aos empresários que compraram as antigas estatais desapareceu. O site Poder 360 resgatou dois momentos no começo deste ano onde chegou a dizer que “Os empresários sérios que forem comprar a Eletrobras, tenham cuidado. Porque a gente vai rediscutir o que está acontecendo nessas privatizações” e também “Os empresários que vão comprar essa empresa, tomem cuidado. Porque se o PT ganhar as eleições a gente vai querer rediscutir o papel soberano no Brasil em ser dono do seu nariz e ser dono da sua energia”.

Estes avisos de cuidado aos empresários não desanimaram a disposição de aumentar a carestia de vida da população, nem tampouco fizeram tremer o governo que efetivou a privatização da Eletrobrás com Bolsonaro e Guedes comemorando este ataque histórico e estratégico à classe trabalhadora. No caso da Eletrobrás, a privatização incluiu uma manobra de contenção dos impactos nas contas de luz, mitigando o tarifaço da luz entre julho deste ano e de 2023, mas que já acarretou na aprovação de aumentos em seis estados, Paraná, Santa Catarina, Paraíba, Maranhão, Mato Grosso do Sul e São Paulo. Enquanto isso, a população amarga a fome e os impactos de outras privatizações e ataques, e os bilhões das vendas das estatais, todas vendidas por valores irrisórios, favorecendo os monopólios internacionais, foram diretamente para o pagamento da dívida pública, como prevê a Lei de Responsabilidade Fiscal.

William Waack afirmou na entrevista que Lula tampouco reviu qualquer privatização feita por FHC, a afirmação de Lula de não rever privatização está em consonância com isso e também com outras declarações anteriores, em entrevista de 2021, já havia cedido à possibilidade de “economias mistas” na Caixa Econômica Federal (CEF), Furnas e Eletrobras em entrevista de 2021, leia-se: privatizações. E esta foi a primeira entrevista que fez dias depois de ter os processos da Lava Jato anulados. Rever privatizações portanto entra como adendo à lista do que seguirá intocado por Lula e Alckmin, como o comprometimento destes de não revogar as reformas ou nenhum grande ataque de Temer e Bolsonaro. Na própria resposta à afirmação de Waack, Lula fala da fome e dos objetivos que se colocou na primeira vez em que foi eleito e vincula os dados da fome à reivindicação do Minha Casa, Minha Vida, ao programa Casa Amarela, à informalidade e às dívidas e a necessidade de atacar estes problemas.

A realidade é que no que tange privatizações, Lula, Dilma e o PT promoveram as chamadas PPPs (Parcerias Público-Privadas) e concessões, que colocaram rodovias e ferrovias nas mãos dos capitalistas, assim como portos e aeroportos. Em 2018, Alckmin chegou a afirmar que se eleito privatizaria “tudo o que for possível”, como tentou em São Paulo, sucateando as linhas públicas do metrô e priorizando as privadas. O ladrão de merenda que conseguiu deixar São Paulo sem água hoje atua como aval neoliberal para Lula e o PT, longe de ter se tornado um bom moço.

O PT, como direção da CUT, e junto ao PCdoB como direção da CTB, cumpriu o papel de isolar as lutas operárias que se enfrentaram com tentativas de privatização, como na Petrobrás ou nos Correios, ou foram parte de impedir com que se desenvolvessem. Por isso, com o aprofundamento da precarização dos serviços e das condições de vida, é necessário exigir que as centrais rompam com a sua paralisia e convoquem um plano de lutas contra o bolsonarismo, as reformas e privatizações e levantem o programa de reestatização completa das empresas sob controle dos trabalhadores e usuários. É este o programa que pode garantir de fato energia, água, transporte e outros serviços necessários para o conjunto da população.

Neste sentido, estivemos cercando de solidariedade a greve do CNCL e do TABG, a mobilização dos petroleiros da P-70 e de todos os setores petroleiros em luta no Rio de Janeiro, que sofrem os impactos da privatização que significa precarização para os trabalhadores e lucro para os acionistas. E à serviço deste programa e do fortalecimento das lutas que estão as candidaturas do MRT no Polo Socialista Revolucionário, com a defesa intransigente da revogação das reformas e da reestatização das empresas privadas sob controle dos trabalhadores, contra Bolsonaro e os ataques, em defesa de unir os trabalhadores sem alianças com a direita e os patrões.




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