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Trótski em Permanência | Evento Trótski em Permanência debate sobre o trotskismo na América Latina

Nesta quarta-feira, 04, no turno da tarde, foi realizado o 6º Simpósio temático no evento Trotsky em permanência, com foco no trotskismo na América Latina, que debateu temas como Parlamentarismo Revolucionário, os trotskistas na Argentina e na América Latina e Revolução Permanente na sub região.

Shimenny Wanderley Campina Grande

quarta-feira 4 de agosto | Edição do dia

Nesta quarta-feira, 04, no turno da tarde, foi realizado o 6º Simpósio temático no evento Trotsky em permanência, com foco no trotskismo na América Latina, que debateu temas como Parlamentarismo Revolucionário, os trotskistas na Argentina e na América Latina e Revolução Permanente na sub região.

Abrindo a discussão, Gonzalo Rojas, Professor de Ciência Política na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e do Movimento Revolucionário dos Trabalhadores (MRT). Rojas focou sua fala na chegada do fenômeno político do parlamentarismo revolucionário no Chile, a partir do caso do Partido dos Trabalhadores Revolucionário (PTR) em Antofagasta, com Natalia Sánchez, que é médica no Hospital Regional de Antofagasta, e que foi eleita vereadora, trazendo elementos que podemos descrever sua atuação no marco do Parlamentarismo revolucionário, que é uma novidade após a rebelião neste país em outubro de 2019.

Rojas explica que Parlamentarismo revolucionário trata da participação de partidos políticos revolucionários no Parlamento no marco de sistemas políticos eleitorais, e que deve ser entendido como uma tática que tem como objetivo a superação do regime político em crise e não sua recomposição. Este fenômeno não é novo em termos políticos, institucionais e históricos, mas é original na América Latina e tem repercussões internacionais. Retoma a tradição política do marxismo revolucionário da III Internacional bolchevique, que se articula com a prática política do Partido dos Trabalhadores Socialistas (PTS) da Argentina e estamos presenciando, ainda que de forma embrionária, o que podemos caracterizar como surgimento no Chile com o PTR.

Rojas destaca exemplos históricos emblemáticos de parlamentarismo revolucionário as primeiras experiências táticas de Parlamentarismo Revolucionário na Rússia posterior a 1905 e ao debates dentro do Partido Operário Social-Democrata Russo (POSDR) na II Duma, o emblemático caso na Alemanha do deputado socialista alemão Karl Liebknecht, que justo em 04 de agosto em 1914 manteve uma posição socialista internacionalista votando contra os novos créditos de guerra, menciona, nesse mesmo período histórico, as experiências de Zeth Höglund na Suécia, e do bloco búlgaro, que contou com 47 parlamentares revolucionários, além de Antonio Gramsci foi eleito deputado nas eleições do dia 06 de abril de 1924 na Itália.

Entendendo como fio de continuidade com a tradição histórica o papel do PTS na FIT-U na Argentina e recentemente o caso do Chile, Rojas afirma que tudo isto deve servir de exemplo para esquerda brasileira, sendo estas táticas políticas, seja no plano do sindicalismo como no plano parlamentar, subordinadas à uma estratégia revolucionária, que permita partir de uma articulação entre luta extraparlamentar com a atuação parlamentar, subordinando sempre a segunda à primeira, para enfrentar os ataques do governo no país. Finaliza enfatizando que esta contribuição tem como objetivo que a esquerda brasileira possa tirar lições desta importante experiência política na Argentina e Chile, a de um marxismo com centralidade estratégica.

Sobre este tema recomendamos este artigo de minha autoria para o Suplemento Teórico Ideias de Esquerda

Em seguida Martin Mangiantini, professor da Universidade de Buenos Aires (UBA), discutindo seu artigo: “O Trotskismo na Argentina. Análise de uma sub-cultura política no campo das esquerdas”. Numa abordagem mais histórica, aborda especificamente o período que corresponde de 1965-1976, abarcando um período de maior convulsão social até a ditadura militar na Argentina. Mangiantini, foca em três organizações (corrente morenista) consecutivas: o Partido Revolucionário dos Trabalhadores (PRT), desde sua fundação em 1965 até sua dissolução, o Partido Revolucionário dos Trabalhadores - La Verdad (PRT - LV) entre 1968 e 1972 e, finalmente, o Partido Socialista dos Trabalhadores (PST). Mangiantini traça alguns debates em torno da luta armada, tendo em consideração as organizações políticas militares existentes, e fala das ambiguidades entre as esquerdas principalmente no âmbito do internacionalismo, diferenciando esquerda marxista de esquerda peronista.

O terceiro expositor da tarde, Pablo Heller, que é do Partido Obrero (PO) na Argentina, traz como tema “A vigência do trotskismo na Argentina e na América Latina. Uma contribuição do Partido Obrero”. Para Heller o central em Trotsky e sua elaboração sobre decadência do capitalismo, sendo a atual crise capitalista parte de sua declinação como base histórica da revolução social. Não estamos falando de um fenômeno parcial, mas de um emergente universal, determinado pelo caráter do imperialismo como regime de transição na visão do PO. Finalmente articula o cenário de guerras crescentes como inseparável da bancarrota capitalista e da crise mundial do 2007-2008. Mesmo apresentando uma visão com elementos catastrofistas, finaliza reivindicando a FIT-U e a 1ª Conferência latino-americana e dos EUA, e fazendo um chamado para a organização da 2ª Conferência latino-americana e dos EUA.

Por fim, Isabella Meucci, com base na sua dissertação de mestrado (UNICAMP, fala sobre seu artigo intitulado “A Revolução Cubana e o movimento trotskista na América Latina (1959-1974)”. Meucci, destaca o novo período aberto pela revolução cubana de 1959 na América Latina, e expõe seu impacto para o trotskismo da região. Meucci analisa a partir de duas organizações atuantes na América Latina que reuniam os partidos trotskistas do continente nos anos 1960: o Bureau Latino Americano da Quarta Internacional (BLA), liderado por Juan Posadas, e o Secretariado LatinoAmericano do Trotskismo Ortodoxo (SLATO), liderado por Nahuel Moreno. Afirmando que para o partidos trotskistas reunidos nessas organizações a tomada do poder em Cuba trazia muitas dúvidas, isto pela estratégia utilizada. Destaca que foi nesse contexto que a guerra de guerrilhas surgiu como alternativa à ação direta das massas. Segundo a expositora, esse debate acerca da Revolução Cubana se deu, no movimento trotskista, em três momentos: o das confirmações, o das inovações e o das reavaliações. O da confirmação, diz que o êxito cubano teria aberto a possibilitado a verificação de parte das teses trotskistas, quanto às divergências com o modelo de revolução por etapas dos partidos comunistas. O segundo, a inovação, ligado à necessidade de priorizar métodos de luta e sujeitos políticos que antes da Revolução Cubana não eram vistos com destaque, e por fim, um terceiro momento, o de reavaliação, onde certas considerações acerca do caráter da revolução foram reavaliados e a guerra de guerrilhas começou a ser repensada como alternativa revolucionária.

O último expositor da tarde, João Batista Aragão Neto, que falaria sobre a Revolução Permanente na América Latina, teve problemas técnicos e não conseguiu participar, mas a organização do evento vai publicar por escrito sua contribuição.

Desde Esquerda Diário e o MRT é central apresentar uma visão ofensiva do marxismo nestes eventos para a partir das elaborações teóricas e as táticas políticas que tem atualidade fazer uma melhor intervenção na luta de classes, fomentando a auto-organização em termos de comitê de ação como apresenta Trótski em “Onde vai França”, e tudo isso vinculado à construção do partido revolucionário com uma estratégia revolucionária.




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