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Hitler, suástica, armas da PM, misoginia, pai bolsonarista - assassino de Aracruz é um combo de extrema-direita

O assassino de Aracruz, cuja ação vitimou 4 pessoas até agora e 10 ficaram feridas, reúne uma quantidade abominável de componentes de extrema-direita ao seu redor. Bolsonarismo alimenta ambiente propício para que ideias de Hitler possam germinar e massacres sejam mais frequentes.

quinta-feira 1º de dezembro de 2022 | Edição do dia

Tudo ao redor do assassino de Aracruz leva à extrema-direita e ao bolsonarismo. Apesar dos esforços da PM capixaba (e da grande mídia) em tentar separar a vida do assassino com o bolsonarismo e a extrema-direita, as relações são umbilicais.

Em junho deste ano, o tenente da PM capixaba, publicou uma foto do livro Minha Luta, de hitler, em seu perfil de Instagram (foto ao final da matéria). Segundo a própria PM, o pai o comprou para dar ao filho e “se aproximar dele”. Ainda segundo a PM, o assassino confirmou ter lido trechos do livro.

Além disso, as armas utilizadas eram de seu pai. Uma pistola automática .40 e um revólver calibre 38, sendo uma delas de uso funcional do tenente e outra de uso particular. Ao final da ação, o assassino chegou em casa, guardou as armas onde havia pego, almoçou com seus pais como se nada tivesse ocorrido e seguiram para a casa de praia. A ação vinha sendo meticulosamente planejada há dois anos e põe a nu o problema do porte e posse de armas no Brasil, tão defendido por Bolsonaro para armar sua base de extrema-direita.

A suástica em seu braço havia sido desenhada à mão em um pedaço de papelão pelo assassino e colado com velcro no uniforme militar. A máscara de caveira sela o combo estético de extrema-direita reproduzidos em tantos outros casos de massacre.

- Leia também sobre porque o nazismo é de direita: Entenda por que o nazismo nunca teve nada a ver com o socialismo

Outro padrão que surgiu, presente em vários outros massacres, é o elemento da misoginia. Em alguns casos, como os de Suzano, o ódio às mulheres era explícito, uma vez que os assassinos viviam nos fóruns de internet reconhecidamente misóginos, como o dogolochan (onde é de costume chamar mulheres de “depósitos de espermas”, entre outras barbaridades do tipo). Nos EUA, a regra segue. Apesar de, até o momento pelo menos, não ter surgido manifestações expliciticamente misóginas da vida anterior do assassino de Aracruz, o fato das vítimas serem todas mulheres (das 4 mortas, 3 eram professoras e 1 era uma aluna de 12 anos) escancara o elemento misógino da ação. Segundo a PM, o assassino não planejou essas mortes, disse que as vítimas eram aleatórias e que entrou na sala dos professores porque era a primeira sala. Mas essa versão é difícil de convencer, já que ele estudou anos naquela escola, estava planejando a ação há anos e conhecia bem a arquitetura do lugar e as pessoas que lá trabalhavam. Inclusive, uma das vítimas, Flavia Leonardo, era professora de sociologia e participava do Movimento Atingidos por Barragem pela reparação dos danos provocados pelo crime de Mariana.

Por último, como não é de se estranhar, o pai do assassino, que recomendou a seus seguidores do Instagram ler Hitler, que comprou o Minha Luta para seu filho, pasmem… é bolsonarista. Em foto publicada no IG, o tenente estampava a hashtag “TmjBrasil” sob uma marca d´água com a bandeira do Brasil. Qualquer um que digitar essa hashtag no twitter, rapidamente se depara com publicações bolsonaristas de vários lugares.

A verdade é que ações desse tipo vêm crescendo no Brasil nos últimos anos, junto do crescimento do bolsonarismo. Suzano, em 2019, e Aracruz, em 2022, ocorreram em um curto período de tempo e guardam características semelhantes. Em comparação com casos norte-americanos, as semelhanças são muito maiores do que as diferenças - misoginia, vingança, armas dentro de casa, pensamento de extrema-direita, simpatia ao nazismo, etc. Não é preciso ser sociólogo para traçar paralelos entre a ascensão do bolsonarismo e a existência de casos como esses. O bolsonarismo e a extrema-direita estimulam, de forma explícita e também subterrânea, ambiente em que ideias reacionárias, eugenistas, misóginas e fascistas possam germinar.

Materiais do assassino encontrados pela PM. É possível ver as suásticas ao lado. Foto - divulgação PCES:

Publicação do pai do assassino no IG:

Publicação do pai do assassino no Instagram. Foto: reprodução:




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