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Eleições | Maíra Machado: "É impossível enfrentar seriamente o bolsonarismo com Alckmin, FHC, Meirelles e Reale Jr."

Maíra Machado, candidata a deputada estadual pelo MRT em São Paulo, abordou a questão dos apoios que a campanha Lula-Alckmin veio recebendo, de figuras ligadas à dirieta e aos grandes empresários que são inimigos jurados dos trabalhadores.

quinta-feira 22 de setembro | Edição do dia

Maíra Machado, candidata a deputada estadual pelo MRT em São Paulo, abordou a questão dos apoios que a campanha Lula-Alckmin veio recebendo, de figuras ligadas à dirieta e aos grandes empresários que são inimigos jurados dos trabalhadores.

"O governo Bolsonaro já atestou seu ódio de classe ao conjunto dos trabalhadores e da população pobre. Nossa classe não suporta mais seu governo de ajustes e ataques também a mulheres, negros, indígenas e LGBTQIAP+. As formas selvagens de precarização avançaram sem precedentes com a reforma trabalhista, o desemprego aumentou e a insegurança alimentar atingiu índices recordes. Com uma inflação que corrói os salários a insatisfação popular é enorme, depois de dois anos de pandemia com 700 mil mortos no país por responsabilidade deste governo e dos governadores dos estados, mesmo daqueles que não são negacionistas como a extrema-direita. Os ataques econômicos também são avalizados pelo judiciário, com seus métodos autoritários, e pelas organizações do grande capital industrial e financeiro, a FIESP e a FEBRABAN, todos estes que tentam se arrogar credenciais "democráticas", mas apoiaram o golpe militar na década de 60 e o golpe institucional de 2016, concordando com a agenda econômica de Bolsonaro e Guedes", disse Maíra.

"Precisamos enfrentá-los seriamente. E isso implica um programa de independência de classe que unifique os trabalhadores contra o conjunto dos empresários e banqueiros. Sem isso, é impossível enfrentar o bolsonarismo. É o exato oposto do que fazem Lula e o PT. Basta olhar a galeria "ilustre" de apoiadores que Lula colheu na última semana. Além de ter Alckmin como vice, o espancador de professores em São Paulo, ganhou o apoio de Fernando Henrique Cardoso, símbolo da direita neoliberal no país, que aplicou os ajustes comandados pelo Consenso de Washington na década de 1990 e reprimiu a histórica greve dos petroleiros em 1995. Ademais, Lula ganhou o apoio de Henrique Meirelles, ex-funcionário do capital financeiro internacional. Meirelles, que foi presidente do Banco Central de Lula entre 2003 e 2011, atuou como Ministro da Fazenda do golpista Michel Temer, e em festa de gala da campanha do PT para acolher seu apoio, disse que só vai apoiar a chapa Lula-Alckmin na condição da manutenção dos ataques econômicos herdados. Ameaçou mais, dizendo que quer "fechar estatais que já perderam finalidade, cortando benefícios indevidos". Como se não bastasse, Lula recebeu apoio público de ninguém menos que Miguel Reale Jr., um dos autores do pedido de impeachment contra a então presidente Dilma Rousseff, que abriu todo o processo do golpe institucional que culminou na eleição de Bolsonaro, com a ajuda da Lava Jato e do STF, lembrando que Reale Jr. já tinha sido Ministro da Justiça.", disse ainda a candidata a deputada estadual pelo MRT em São Paulo.

"Os banqueiros e industriais estão em polvorosa, entusiasmados com Lula-Alckmin. São nossos inimigos jurados. A discussão sobre o voto útil em favor do Lula busca esconder esse fato perverso. Não podemos admitir a política de conciliação de classes do PT, que nos trouxe até esse descalabro bolsonarista. Como mostrou o exemplo do Chile, a conciliação de classes sempre fortalece a direita. Sempre. Ciro Gomes é um político burguês que fala ao bolsonarismo. Mas o que dizer de Lula junto a Alckmin, FHC, Meirelles, Miguel Reale Jr. e toda a galeria de direitistas em todos os estados do país? Só aumentará a pressão que a base conservadora e reacionária do boolsonarismo terá sobre o governo. E mais: essa é a garantia de que Lula não vai revogar nenhuma das reformas econômicas antioperárias, como ele prometeu ao William Waack na CNN. O Alckmin não cansa de prometer à FIESP, à patronal industrial de Goiás, etc., que Lula se comprometeu a manter intacta a reforma trabalhista em seus pilares essenciais. Como é que s epode enfrentar a direita preservando sua agenda econômica?", questionou Maíra.

"Precisamos de uma política diretamente oposta a de Lula-Alckmin e do PT, à qual partidos como o PSOL se adapta completamente. É por isso que estamos defendendo como pontos hierárquicos de nossa campanha a defesa da revogação de todas as privatizações e reformas, em primeiro lugar da reforma trabalhista, abolindo qualquer tipo de flexibilização laboral e lutando por plenos direitos trabalhistas, ligado à construção de uma grande batalha pela redução da jornada de trabalho, sem redução de salários, com 30 horas semanais para enfrentar a precarização e o desemprego, na perspectiva da divisão das horas de trabalho entre empregados e desempregados, e da sua unificação. Trabalho digno para todos: basta de naturalização da precarização do trabalho, devemos atacar o fundamento dos lucros dos capitalistas. Enfrentar Bolsonaro, os militares e todo o regime político degradado da burguesia precisa ser feito na luta de classes. Devemos unir forças para exigir das direções majoritárias do movimento de massas, em primeiro lugar da CUT, CTB e UNE, que impulsionem um verdadeiro plano de luta contra Bolsonaro e suas ameaças golpistas, e pela revogação de todas as contrarreformas e ataques", concluiu Maíra.




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