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Declaração | Não aceitamos intimidações do stalinismo!

Nos últimos dias, faixas colocadas pela Faísca Revolucionária e intervenções do Coletivo Rebeldia foram vandalizadas, ambas organizações de juventude que constroem o Polo Socialista e Revolucionário. Essa é uma declaração conjunta das organizações que constroem o Polo na UFF.

segunda-feira 19 de setembro | Edição do dia

“Enfrentar a ameaça de fechamento da UFF e o Bolsonarismo na luta, sem banqueiros e empresários!”, este era o conteúdo da faixa que foi arrancada e rasgada na porta do bandejão da UFF. No seu lugar, uma organização stalinista colocou uma faixa com uma frase de Stalin. Em um momento em que se fortalece o discurso eleitoral bolsonarista para manter seu poder no regime e ocorrem assassinatos e intimidações de militantes de esquerda, feitos pela extrema-direita, reafirmamos: Não nos intimidaremos por ações vindas do stalinismo, que só contribuem para o fortalecimento da extrema-direita!

As universidades no país vem sofrendo com um cenário com cada vez mais cortes, as políticas bolsonaristas impedem os setores mais precários de acessarem e permanecerem na universidade e ainda precarizam os postos de trabalho, com retiradas de direitos, mais terceirizações e demissões. Ao invés de enfrentar esse cenário de crise das universidades e do país, métodos de intimidações à correntes de esquerda dentro do movimento estudantil contribuem para o fortalecimento de nossos inimigos. Os patrões, a direita, a extrema-direita e a burocracia sindical são os setores fortalecidos por esses métodos levados à frente pelo stalinismo.

Em homenagem a Trotsky, completados 82 anos de seu assassinato, foi feita uma faixa com a frase de seu testamento escrito durante o início da Segunda Guerra Mundial, “A vida é bela, que as futuras gerações a livrem de todo mal e opressão”. Essa faixa teve o rosto do revolucionário bolchevique rasgado e os dizeres “Stalin Vive” escrito no tecido.
Trotsky escrevia essas palavras em um momento onde o stalinismo se aliava com as burguesias imperialistas e traia diretamente diversos processos revolucionários, como o espanhol e francês, um prenúncio das traições no pós-guerra aos processos revolucionários na Grécia e na Itália.

O stalinismo era a expressão política de uma casta burocrática que começou a se formar após a revolução e se consolidou após a morte de Lenin, que travou contra essa casta seu último combate. Sob Stalin, comunistas de oposição foram perseguidos e mortos, incluindo a maioria dos dirigentes da Revolução Russa e todo o Comitê Central do Partido Bolchevique que havia feito a Revolução em 1917. Desses dirigentes revolucionários assassinados, o último deles foi Trotsky, que se encontrava exilado no México. Foram assassinados e perseguidos, também escritores e artistas, como Maiakóvski. Esse processo contrarrevolucionário de assassinato dos dirigentes da Revolução de Outubro e do Exército Vermelho foi uma reação da casta privilegiada que se formou contra a revolução feita por meio dos soviets. Os soviets representavam uma forma de auto-organização dos trabalhadores e do internacionalismo proletário dos primeiros anos da III Internacional. Essa burocracia contrarrevolucionária, dirigida por Stalin, passou a defender a tese do “socialismo em um só país”. Tendo eliminado a vanguarda bolchevique e com essa tese, Stalin se viu livre para assinar um pacto de não agressão com Hitler, o Pacto Molotov-Ribbentrop, e após a guerra se aliou com Churchill e Roosevelt, nas Conferências de Yalta e Potsdam, dando fim à III Internacional. Esse processo contrarrevolucionário culminou, décadas depois, na restauração do capitalismo e no fim da própria URSS.

Frente aos ataques de grupos que ainda insistem em defender as políticas e métodos stalinistas, como a perseguição a socialistas, a setores oprimidos e a quaisquer opositores, por meio da censura, intimidação, calúnias, etc, reafirmamos, assim como Trotsky em seu testamento em plena Segunda Guerra Mundial, nossa “fé inquebrantável no futuro comunista”, e resgatamos seu legado de luta para derrotar o bolsonarismo, a extrema direita e a burguesia no Brasil e no mundo. Por isso hoje construímos o Polo Socialista e Revolucionário como uma iniciativa para aglutinar os setores que batalham pela independência de classe no Brasil de hoje contra o bolsonarismo, sem confiar na saída de conciliação com a direita, apresentada pela chapa Lula-Alckmin.

Neste momento, também diversos C.A’s e D.A’s da UFF, como o de História, Geografia, Ciencias Sociais e outros, junto com professores e estudantes assinaram uma nota de repúdio democrática contra esses ataques ao movimento estudantil.

Chamamos as organizações que reivindicam o legado de Marx, Lenin, Trotsky e da história da luta da classe trabalhadora por sua emancipação, assim como DAs, CAs e coletivos que ainda não se posicionaram, a igualmente se somarem manifestando repúdio a esse tipo de ataque dentro de nossa universidade! Não nos intimidaremos!




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