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Tercerização | Nova empresa terceirizada precariza a vida de trabalhadores e estudantes na Unicamp

No sábado (03/09) a empresa Soluções assumiu oficialmente os Restaurantes da Unicamp. A troca de empresa faz parte de uma política de sucateamento das universidades públicas, levada à frente pela agenda de cortes sucessivos na pasta da educação pelo governo Bolsonaro e também pelos governos estaduais. Na Unicamp, o reitor que se diz “defensor do Estado de direito”, com os recentes ataques às políticas de ingresso por cotas e ao movimento estudantil, precariza a permanência dos estudantes.

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terça-feira 13 de setembro | Edição do dia

Foto: Leandro Ferreira/Hora Campinas

Precarização da qualidade de vida das trabalhadoras

As trabalhadoras perderam diversos direitos com a troca da empresa, mesmo que estejam ocupando o mesmo posto de trabalho. Tudo isso em um cenário de demissões em massa, que deixaram mais de 300 trabalhadoras sem rumo, em meio a uma crise onde o desemprego e a inflação batem recordes, na qual as opções colocadas pela empresa e pela reitoria a essas trabalhadoras era aceitar a perda de direitos ou buscar um novo emprego. Nesse quadro, houve inclusive a contratação de freelancers no bandejão, um nível de precarização do trabalho que só é possível com a Reforma Trabalhista de Temer e suas jornadas intermitentes. As trabalhadoras freelancers não podem nem mesmo comer a refeição que elas mesmas ajudam a produzir para alimentar a comunidade acadêmica.

Segundo as denúncias que nós da Faísca Revolucionária juntamente ao Comitê de Defesa das Terceirizadas recebemos, há casos de assédio pela chefia com as trabalhadoras, com muita hostilidade e gritos, que vêm acompanhados de sobrecarga de trabalho, devido à diminuição no quadro de trabalhadores.

Essa sobrecarga fez com que uma trabalhadora cumprisse 12 horas de serviço sem direito a refeição no turno contrário ao que ela é registrada. Estes turnos são extenuantes, e levam inclusive a acidentes de trabalho. Afinal, até o direito ao descanso delas foi retirado: “não dá nem tempo de beber água mais”, relatou uma trabalhadora.

A empresa Soluções, que está preocupada apenas com seus lucros, já correu para cortar os salários, o vale alimentação, o direito dos trabalhadores terceirizados da limpeza e da segurança de comerem nos bandejões. Além do corte no vale alimentação, tendo atualmente um terço do antigo valor, a empresa já informou às trabalhadoras que vão atrasar cerca de três meses o pagamento do mesmo.

Com a diminuição salarial, seguida de ataques e retiradas de direitos como o fretado e o não pagamento de vale transporte, as trabalhadoras estão tendo que literalmente pagar para irem trabalhar e no ambiente de trabalho ainda são hostilizadas e levadas a jornadas de trabalho desumanas.

Precarização da permanência estudantil

Como nós, da Faísca Revolucionária, já viemos denunciando, a empresa Soluções foi denunciada por servir comida estragada em presídios no Rio de Janeiro e por aqui não vem sendo tão diferente. Somente nessa semana já se encontrou na comida larvas e barbante, com gostinho de precarização! Isso afeta principalmente os estudantes que dependem dos restaurantes universitários como parte de sua permanência na universidade. Na sexta-feira, pela primeira vez em muito tempo, faltou comida no Restaurante Universitário.

O bandejão é parte essencial para a permanência estudantil e por isso é alvo de tantos ataques e precarização. Na universidade onde se tem um dos maiores núcleos de estudo sobre a precarização do trabalho, não podemos aceitar que isso aconteça, tendo como alvo mulheres e negros, majoritariamente. Essa é uma das faces do machismo e do racismo na universidade. A reitoria que demite as trabalhadoras e retira seus direitos é a mesma que ataca o movimento estudantil tentando retirar a sua sede no campus e a mesma que ataca a política de cotas, tornando ainda mais excludente esse filtro social e racial que é o vestibular.

Na última sexta-feira, nós da Faísca Revolucionária, com Juliana Begiato, fomos parte da comissão que se reuniu com a reitoria de Tom Zé sobre a situação, na qual, mais uma vez, a reitoria lava suas mãos quanto à situação das terceirizadas, dizendo que não há o que fazer, mas, mais do que isso, pede tolerância com a empresa, quando, na verdade, o que não há é tolerância com os próprios trabalhadores. A reitoria também faz demagogia sobre "reconhecimento" e visibilidade para as trabalhadoras, negando-se justamente a reconhecer direitos elementares.

Por isso, nós da Faísca Revolucionária, achamos essencial apostar na auto-organização dos estudantes, em aliança com os trabalhadores efetivos e terceirizados da universidade, de todas as empresas, para desenvolver e unir a luta pela recontratação e efetivação das trabalhadoras terceirizadas, a luta dos trabalhadores efetivos da Unicamp pelo reajuste salarial e a luta pela permanência estudantil em uma só, nos opondo a essa estrutura de poder da universidade que invisibiliza as trabalhadoras terceirizadas e coloca de lado os trabalhadores e estudantes, que são a maioria do corpo universitário. Essa batalha poderia ser um impulso à efetivação dos terceirizados, sem necessidade de concurso público, pois já estão provando que conseguem desempenhar seus empregos sem precisar ser submetidos a uma prova.




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