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Pernambuco | O Governo Lula-Alckmin e a Escola de Sargentos em Pernambuco

O projeto, que tinha sido feito inicialmente por Bolsonaro em parceria com o então governo Paulo Câmara, agora é continuado na gestão de Lula, que tem se empenhado para fazê-lo sair do papel em um aceno aos militares, ignorando todo o impacto ambiental que terá na região e fortalecendo ainda mais essa instituição reacionária.

sábado 22 de abril | Edição do dia

Em 2021, foi noticiado que Pernambuco seria a sede da nova escola de sargentos do exército. O feito foi realizado após um grande esforço de articulação do então governo estadual Paulo Câmara e do então presidente Bolsonaro. Para o primeiro, queria aparecer como se tivesse trazendo um grande ’investimento’ que iria gerar empregos e também tentar se cacifar numa base de extrema dreita. Já o segundo tinha como intenção aumentar a sua populariade e o peso dos militares na Região Nordeste. Não à toa, logo após o exército anunciar que Pernambuco seria nova sede, lançou a Operação Guararapes. Além disso, Bolsonaro fez uma mega evento no lançamento da pedra fundamental da construção.

A escola de sargentos em Pernambuco tem uma importância estratégica, justamente, porque o estado sedia o Comando Militar do Nordeste, ou seja, a escolha de sediá-la aqui agrada e muito os interesses dos militares por está próxima do centro estratégico do exército na região, podendo fornecer quadros para seus projetos militares e políticos. Não é só a casta militar que se alegrou com esse projeto, a Fededração de Indústrias de Pernambuco (Fiepe) que concentra a fração capitalista mais importante do estado fez questão de reforçar a cooperação entre os capitalistas industriais e o exército no 1º Encontro da Rede Nordeste de Estudos Estratégicos e Inovação para a construção da escola de sargentos.

Apesar de tal demagogia, o povo pernambucano pouco tem a ganhar com tal empreendimento. Por um lado, aumentaria o peso social do exército no estado, com toda a consequência reacionária que isso traz. Por outro lado, a implantação se daria na APA Aldeia-Beberibe, causando o desmatamento de mais de 150 hectares de Mata Atlântica em uma área onde há inúmeros mananciais de rios importantes no abastacimento da Grande Recife, causando um impacto ambiental que poderia alterar o clima da cidade e afetar seu abastecimento. Tal fato tem gerado inúmeros protestos dos moradores da região.

No entanto, o governo Lula-Alckmin, assim como seus aliados da frente ampla, parecem pouco se importar com isso. Apesar de ter sido eleito com um discurso de que mudaria a relação com o exército e que a questão ambiental seria prioridade, Lula dá continuidade ao projeto de Bolsonaro em mais um esforço de "melhorar as relações" com os militares. Pelo visto, as prioridades da conciliação estão acima das promessas eleitorais.

Desde o início do ano, o Ministro da Defesa José Múcio fez várias viagens ao estado para tratar sobre o tema. Mais recentemente, fez uma reunião com parlamentares pernambucanos parag tratar disso, na qual estavam presentes Clarissa Tércio, André Ferreira, Maria Arraes e Tulio Gadêlha. Este último fez questão de ressaltar a importância do projeto. Portanto, a frente ampla e a extrema direita estão juntinhos nesse empreendimento reacionários. Vale lembrar também que o interesse da extrema direita pernambucana nesse projeto é fundamental, porque reforça a coesão entre sua base social que esteve apoaindo as manifestações golpistas no estado.

Acreditamos portanto, que é necessário o mais amplo repúdio a tal projeto, e essa é mais uma amostra de como não podemos confiar no novo governo para avançar nossas pautas.




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