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USP | SINTUSP: "Lutar contra o bolsonarismo e as reformas sem alianças com os patrões e a direita!"

O Conselho Diretor de Base do Sindicato de trabalhadores da USP deliberou contra a adesão do sindicato à Carta aos Brasileiros em defesa do Estado Democrático de Direito. O Conselho considera que a carta expressa interesses políticos da grande burguesia, alheios à luta dos trabalhadores. Reproduzimos aqui a declaração do sindicato

quinta-feira 11 de agosto | Edição do dia

O Conselho Diretor de Base do SINTUSP de 10/08/2022 deliberou contra a adesão do nosso sindicato à Carta aos Brasileiros em defesa do Estado Democrático de Direito. Consideramos que a carta expressa interesses políticos da grande burguesia,
alheios à luta dos trabalhadores.

Estamos em um momento muito delicado da política nacional. Depois de três anos e meio de um governo Bolsonaro que destilou seu ódio contra mulheres, negros e LGBT’s, arrancou direitos da classe trabalhadora colocando milhares na fila do osso e no desemprego e foi responsável por mais de 680 mil mortes durante a pandemia, o sentimento da necessidade de retirar Bolsonaro da Presidência é enorme. Diante de mais uma de suas declarações e de sua retórica autoritária, setores que apoiaram integralmente as reformas e ataques de Bolsonaro e que no passado chegaram a apoiar a ditadura agora tentam se localizar como porta-vozes da democracia. É o caso da FIESP, da Febraban, as principais federações patronais das indústrias e dos
bancos. E é nesse sentido que surge a Carta aos brasileiros em defesa do Estado Democrático de Direito, como uma tentativa de setores patronais e políticos burgueses construírem a ideia de que para derrotar o bolsonarismo é necessária uma grande aliança “democrática” das centrais sindicais e dos trabalhadores com os empresários e o judiciário.

É evidente que defendemos as liberdades democráticas diante de qualquer ameaça de recrudescimento contra as organizações da classe trabalhadora. Mas Bolsonaro dificilmente conseguiria levar a cabo uma mudança de regime político sem o apoio da grande burguesia que assina a carta do Largo São Francisco. Bolsonaro também está isolado internacionalmente, particularmente não tem o apoio do governo americano, não tem o apoio da cúpula das forças armadas brasileiras, não tem sequer apoio popular o suficiente para sustentar um governo golpista, e, sobretudo, infelizmente não há nenhuma ameaça à classe dominante que a faça precisar de um golpe militar, não há hoje revolta dos trabalhadores que precise ser controlada com um regime ainda mais autoritário.

Nós trabalhadores que sofremos com a ditadura patronal nas fábricas, que somos reprimidos em nossas greves e lutas por terra e moradia e sofremos com a exploração capitalista, que não tem nada de democrática, somos os primeiros a defendermos as liberdades democráticas que nos são negadas dia após dia, porém, o que está colocado nessa carta pelos seus proponentes é uma verdadeira operação que tenta relegitimar esse regime político para continuar nos atacando e criar a estabilidade necessária para manter os lucros dos patrões, ou seja, defendem a democracia enquanto liberdade patronal para seguir nos explorando não à toa, a carta não fala nada sobre a revogação das reformas, as privatizações e cortes na saúde e educação e a flexibilização trabalhista. Nessa “frente ampla” não cabem os interesses da classe trabalhadora, da juventude e de todos os oprimidos. Por todos esses motivos, o Sintusp como um sindicato classista o SINTUSP não assina a carta aos Brasileiros em defesa do Estado Democrático de Direito.

Defendemos a necessidade de enfrentar o bolsonarismo, as reformas e os ataques através da luta de classes, antes, durante e depois das eleições, de forma independente de qualquer variante burguesa, sem aliança com empresários e banqueiros. Por isso exigimos que as grandes centrais sindicais convoquem um plano de lutas construído pela base, com assembleias e reuniões nos locais de trabalho que unifiquem a nossa classe, única maneira realmente de derrotar Bolsonaro, as reformas e seus projetos autoritários, que ainda se mantém no plano da retórica.

A saída para os problemas da classe não se dará através das eleições, mas somente com a autoorganização dos próprios trabalhadores, confiando unicamente na sua força organizada e com um programa de ruptura com o capitalismo, que prepare as condições para uma sociedade socialista.

São Paulo, 10 de agosto de 2022
Conselho Diretor de Base do Sintusp

Veja aqui a declaração no site do SINTUSP




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