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11 de agosto | Sofia Manzano e Leonardo Péricles assinam Manifesto junto a banqueiros, golpistas, patrões e inimigos da classe trabalhadora

Os candidatos à presidência Leonardo Péricles (UP) e Sofia Manzano (PCB) assinaram a "Carta às brasileiras e aos brasileiros em defesa do Estado Democrático de Direito!", junto a representantes do grande capital, inclusive ex-presidentes da FIESP e Febraban, golpistas como Miguel Reale Júnior, responsável pelo processo que pediu impeachment de Dilma Roussef, e vários ex-ministros do STF.

Marie CastañedaCoordenadora do CACS Marielle Franco da UFRN (Ciências Sociais)

quinta-feira 11 de agosto | Edição do dia

Os candidatos à presidência Leonardo Péricles (UP) e Sofia Manzano (PCB) assinaram a "Carta às brasileiras e aos brasileiros em defesa do Estado Democrático de Direito!", junto a representantes do grande capital, inclusive ex-presidentes da FIESP e Febraban, golpistas como Miguel Reale Júnior, responsável pelo processo que pediu impeachment de Dilma Roussef, e vários ex-ministros do STF. Assim, dão seu apoio à operação política por trás da jornada deste dia 11, impulsionado pela FIESP, FEBRABAN, a Rede Globo e amplos setores da imprensa e do regime político que apoiaram o golpe institucional, que abriu espaço para o reacionário governo Bolsonaro. Se juntam e relegitimam algozes que apoiaram todos os ataques do governo Bolsonaro, do governo Temer e que agora querem posar de “democratas”. Mais uma vez UP e PCB mostram seu DNA de conciliação de classes por trás da verborragia “comunista”.

Bastaria olhar os que assinam a carta para ver que daí não poderia vir nenhum ponto de apoio para a chamada “defesa da democracia”. Destaquemos alguns: Fabio Barbosa, ex-presidente do Santander e da FEBRABAN, e o ex-presidente do banco Credit Suisse no Brasil, José Olympio Pereira. O ex-presidente da FIESP Horacio Lafer Piva, da Klabin, bem como Pedro Moreira Salles, Candido Bracher e Roberto Setubal, do Itaú, Guilherme Leal e Pedro Passos, da Natura, Walter Schalka, da Suzano, Eduardo Vassimon, da Votorantim, Blairo Maggi, do Grupo Amaggi, o pecuarista Pedro Camargo Neto, direitistas neoliberais como Pedro Malan, Arminio Fraga; Miguel Reale Júnior, ex-Ministro da Justiça que abriu o processo de impeachment de Dilma Roussef; reacionários como Adib Jatene, ministro de Collor e FHC e o tucano Aloysio Nunes Ferreira Filho e mais de uma dezena de ex-ministros do STF, os patriarcas togados da propriedade privada.

Mas o conteúdo torna a assinatura ainda mais grave. O Manifesto tem eixo na “defesa do Estado Democrático de Direito”, que é algo que sabemos que não existe no Brasil e nem em nenhuma parte do mundo. Trata-se de uma ficção criada pela burguesia para dizer que o Estado Burguês e seu regime político que é uma “democracia dos ricos”, representa um suposto valor universal democrático, que sabemos que não é vivido pelos trabalhadores e o povo brasileiro.

É de um enorme cinismo que estes algozes que orquestraram o golpe institucional que veio para passar ataques que arruinaram as condições de vida da classe trabalhadora e do povo pobre, colocou os militares na política nacional com toda força, queiram agora se posar de democratas. O mesmo judiciário que foi parte fundamental do golpe institucional, da prisão arbitrária de Lula, do sequestro de milhões de votos em 2018, em eleições tuteladas junto às Forças Armadas agora quer se prostrar como o paladino dos direitos democráticos depois de ter garantido a terceirização irrestrita, as privatizações e todos os ataques.

Eles que impulsionaram o golpe institucional, agora declaram no Manifesto, com apoio do PCB e UP que “Temos os poderes da República, o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, todos independentes, autônomos e com o compromisso de respeitar e zelar pela observância do pacto maior, a Constituição Federal (...) o debate político sobre os projetos para o País sempre foi democrático (...) Tivemos várias alternâncias de poder com respeito aos resultados das urnas e transição republicana de governo.” E chama as eleições de “festa cívica” e intitula os EUA, principal imperialismo mundial que oprime e impulsiona ditaduras e guerras pelo mundo, apoiou a ditadura no Brasil (como diversos assinantes dessa carta) e o golpe institucional, de “secular democracia norte-americana”.

Tal Manifesto, exalta o papel do ex-integralista Goffredo da Silva Telles Junior, como “mestre de todos nós” e diz que a “lição de Goffredo está estampada em nossa Constituição “Todo poder emana do povo”. Diz que o Manifesto lido por Goffredo em 1977 foi “A semente plantada rendeu frutos. O Brasil superou a ditadura militar.” Ou seja, esse documento é parte de uma tentativa de apagamento da riquíssima história de luta da classe trabalhadora e dos setores oprimidos do Brasil, como do gigantesco ascenso operário de 78-80, desviando o protagonismo da luta contra a ditadura para setores da burguesia como o judiciário e o empresariado brasileiro que, historicamente, não são senão seus algozes. Querem com isso também apagar o papel do movimento estudantil, que saiu às ruas amplamente e começou a colocar em questionamento a ditadura. Foi pra evitar uma perspectiva revolucionária da luta contra a ditadura que surgiu esse Manifesto de 77, para garantir uma transição “lenta, gradual e segura”, que foi tão tutelada que temos no Brasil até hoje os militares torturadores sem nenhuma punição e parte deles diretamente no governo do país.

O Manifesto exalta a Constituição de 88, que até mesmo o PT votou contra seu texto quando da aprovação no parlamento, justamente pelo caráter tutelado que esta tinha, mas agora o PCB e UP mostram sua avaliação da Constituinte e da Constituição de 88, ao assinar que “A Assembleia Nacional Constituinte resgatou a legitimidade de nossas instituições, restabelecendo o estado democrático de direito com a prevalência do respeito aos direitos fundamentais.” E como bons defensores da “ordem democrática”, falam em defesa da “ordem constitucional”, esta mesmo que está massacrando nosso povo, em especial os mais oprimidos como negros, mulheres, indígenas e LGBTQIAP+.

Estes manifestos e essa jornada do dia 11 tem um claro objetivo político de tentar desviar qualquer possibilidade de combate efetivo, que só pode ser na luta de classes, contra o bolsonarismo, reformas e cortes, bem como de manter sobre as costas dos trabalhadores brasileiros o absurdo das reformas trabalhista e da previdência. Estes setores da burguesia que firmam os manifestos propõem, como saída efetiva para o caos do governo Bolsonaro, a chapa Lula-Alckmin, depois de terem aberto o caminho para a própria eleição de Bolsonaro, quando foram parte responsável do golpe institucional de 2016 e da série de barbáries bonapartistas, autoritárias, que vieram em toda a ofensiva golpista e que agora querem chamar de “Estado democrático de Direito”. Trata-se de uma operação dos poderosos para garantir que não se revogue nenhum dos ataques e contra-reformas que vieram a partir do golpe institucional, compromisso que Lula-Alckmin já fizeram em relação a ataques tão importantes como a reforma trabalhista.

Basta acompanhar a cobertura da grande imprensa como a Globo, Folha de São Paulo, Estadão sobre a jornada deste dia 11 para se dar conta dessa enorme operação política, se o conteúdo dos Manifestos e seus signatários já não deixavam suficientemente claro. A operação política contou inclusive com um ex-presidente do Superior Tribunal Militar, que foi um dos leitores da carta na São Francisco, como forma de legitimar até mesmo os “militares democratas”, justo este que foi presidente de parte do que há de mais autoritário, anti-democrático e resquício da ditadura que é o STM, que impede até mesmo julgamentos civis de militares.

Esse tom de direita e de conciliação de classes configura toda a jornada do dia 11 de agosto. Como dissemos em declaração do MRT, explicando a razão do porquê não compusemos este ato do dia 11: "É por isso que nós do Movimento Revolucionário de Trabalhadores (MRT), que impulsiona a Faísca Revolucionária e o Nossa Classe, não compomos esse dia 11 e batalhamos para que a classe trabalhadora auto-organizada, com assembleias e reuniões de base, aliada à juventude, seja a protagonista do combate ao bolsonarismo, não os capitalistas, como vemos hoje. Não foi uma carta lida em 1977 por Goffredo Telles Jr., um ex-integralista, que derrotou a ditadura. Foi a classe trabalhadora com fortes greves e apoio do movimento estudantil. Por isso, viemos exigindo das centrais sindicais e da UNE que rompam com essa política de subordinação aos capitalistas e de aposta na saída de conciliação pelas eleições. É preciso que construam um plano de lutas pela base, com manifestações, paralisações e greves que unifiquem o enfrentamento contra Bolsonaro, o bolsonarismo e os militares, batalhando pela imediata revogação integral de todas as reformas."

Ao contrário disso, PCB e UP, que falam verborragicamente em nome do comunismo e contra a conciliação de classes, estão mostrando como seguem firmes com o DNA de conciliação de classes típico da tradição stalinista, como viemos elaborando em distintos artigos sobre o PCB e UP e nos episódios do podcast Espectro do Comunismo.




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