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LGBTFOBIA NAS ESCOLAS | Vereador LGBTfóbico quer proibir linguagem neutra nas escolas de Campinas

Nelson Hossri, vereador do PSD quer proibir o uso de linguagem neutra nas escolas de Campinas, mais um ataque ao debate de gênero e sexualidade nesse mês de junho é o mês do orgulho LGBT, mês referenta à revolta de Stonewall, há 52 anos quando LGBTs, nos EUA, se organizaram para enfrentar a repressão policial e toda opressão e discriminação sexual que sofriam. Fazendo ecoar um grito contra a lgbtfobia em todo o mundo.

sábado 26 de junho | Edição do dia

Foto: Central de Comunicação Institucional da CMC

A linguagem neutra, classificada pelo parlamentar de extrema-direita como “aberração”, é uma importante reivindicação da comunidade LGBT, dos movimentos e organizações de esquerda que lutam pela inclusão de um gênero linguístico que reconheça não apenas o masculino e feminino, mas também transexuais, travestis, não-binários e outros. Por exemplo com a adoção de palavras como “todes” ou “todx”.

Esse reacionário projeto foi colocado na câmara de vereadores logo após o absurdo caso de um estudante de 11 anos também de Campinas sofreu retaliações depois que propôs no grupo de whatsapp da escola um trabalho sobre o mês do orgulho LGBT (Leia sobre). O caso teve repercussão e rechaço nacional, e aconteceu um ato em Campinas em frente à escola que aconteceu o caso, teve participação de movimentos sociais e familiares da criança que sofreu LGBTfobia. Ou seja, uma nítida reação do vereador Nelson contra toda essa resistência que se expressou inclusive com muitas bandeiras coloridas e falas no ato do dia 19J em Campinas em solidariedade ao caso de censura do menino Lucas e em defesa do debate de gênero e sexualidade nas escolas.

Tentando mascarar seu ódio aos LGBT’s, Hossri diz que “precisamos preservar o direito do estudante de aprender a norma culta” e que a “linguagem neutra” traria problemas para crianças surdas e disléxicas, dificultando o aprendizado, como se ele fosse especialista na educação e estivesse preocupado com o ensino. Na verdade esse vereador do PSD é parte da Câmara de Vereadores conservadora e reacionária em Campinas, que em 2015 foi responsável pela tentativa de impor que se cale os debates de gênero e sexualidade nas escolas com a Emenda da Opressão, e foram os que repudiaram a presença de questões de Simone de Beauvoir no ENEM. Além da tentativa por parte do bolsonarista Coronel Santini de impor o “Escola Sem Partido”, projeto reacionário de censura do debate crítico, político, sobre opressões nas escolas e que incentivava o assédio aos professores, com ameaças de filmar suas aulas.

Vemos também que está tramitando na Câmara dos Vereadores de São Paulo o projeto de Lei “Escolhi Esperar”, veja um trecho da declaração da profª. Grazi Rodrigues, do Movimento Nossa Classe Educação e do MRT sobre o PL:

“E a forma como querem implementar esse projeto, na prática, é colocando setores religiosos que defendem a abstinência sexual dentro das escolas públicas que são laicas, segundo a própria Constituição. Quem defende educação sexual, quem defende o direito de escolha das mulheres sobre o próprio corpo, quem defende a ciência, não realizaria uma palestra propondo esse método bastante controverso da abstinência como método de “contracepção”. Que é na verdade a perspectiva de setores conservadores e religiosos que se opõem à educação sexual, e que anos atrás criaram fakenews como a do kit-gay que disseram existir nas escolas.”

A necessidade de permitir o uso de gêneros linguísticos para além do masculino e feminino é parte de todo debate e enfrentamento contra a brutal violência que sofrem as pessoas LGBT como o triste acontecimento na quinta (24) em Recife de queimarem ainda viva a Roberta, travesti de 40 anos. Também recentemente um jovem gay foi assassinado com 3 tiros sem que nada foi roubado e no momento do crime o jovem, além de estar em local distante de casa. Crimes de ódio como esses escancaram a necessidade de debater sem nenhuma censura ou restrição da linguagem sobre a compreensão dos estudantes sobre o que é gênero, sexualidade e lgbtfobia e dessa forma também combater casos de opressão e também toda estrutura do Estado, ou pela própria interferências da Igreja que mantém toda essa violência contra essa parte da sociedade.

Campinas tem na sua história casos escandalosos em relação a lgbtfobia, como o assassinato do jovem LGBT Spencer Netto e da travesti Bruna em 2017. Foi na mesma cidade que Quelly, uma travesti, foi assassinada e teve seu coração arrancado com um caco de vidro enquanto seu assassino ria e dizia estar salvando a sua alma. Mas também é aqui que o movimento LGBT, negro e de mulheres se organiza e protagoniza marchas e paradas importantes. Como a parada LGBT de 2016, que após ser brutalmente reprimida pela polícia teve como resposta as LGBTs ocupando o centro da cidade novamente – Parada LGBT 16.1 – para dizer “basta de violência policial e pela livre expressão da nossa sexualidade”. Além da marcha contra a "cura gay".

No Brasil da extrema direita de Bolsonaro que odeia e ridiculariza as LGBTs, onde segundo a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), a expectativa de vida de uma pessoa trans no Brasil é de 35 anos, que só no ano passado houve um aumento de 41% dos assassinatos de pessoas trans, e que os ataques e reformas de Bolsonaro e dos golpistas aprofunda ainda mais a precarização da vida, é ainda mais importante que a escola debata temas como esses.

A escola deve ser um espaço de debates e reflexões sobre os diferentes temas que cercam a nossa sociedade e a vida da comunidade escolar, um lugar onde o pensamento seja livre, onde possa usar o pronome neutro reconhecendo a diversidade de gênero. Hoje, já há meses do retorno inseguro das aulas presenciais em SP e outros estados, de uma nova BNCC. Também avança a reforma do ensino médio pelas mãos de Doria em SP para diminuir o tempo de ensino básico e precarizar a formação dos nossos estudantes aprofundando a dualidade entre um ensino restrito que seguiria uma área do conhecimento e outro que seria a formação profissionalizante, e nós professores não podemos aceitar nenhum desses ataques, além disso Doria foi responsável por recolher materiais didáticos das escolas sob alegação de que reforçavam a “ideologia de gênero”. Todas essas medidas querem impor uma educação mais precarizada e onde esses debates fiquem longe do ambiente escolar.

Defendemos esses debates nas escolas e que lutamos por uma sociedade que a educação debata e combata toda forma de opressão e censura, para que negros, mulheres e LGBTs possam ser verdadeiramente livres.

Veja: No aniversário da Revolta de Stonewall e para desespero de Bolsonaro e Damares, o Esquerda Diário junto ao Pão e Rosas e a Faísca promovem a LIVE LGBT e Marxismo: Revolução nas ruas, nas casas e nas camas
Dia 28 de junho, as 19h
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