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Eleições 2022 | Candidatos do PT, PCdoB e PSOL são financiados por banqueiro do Itaú e pelo grande capital

Para combater o Bolsonaro e a direita é fundamental independência de classe. Porém além das conciliações nas alianças eleitorais, também vemos no financiamento das campanhas a enorme quantia de dinheiro aceita de mega empresários, não apenas por partidos burgueses como PSB, PDT, mas também pelo PT, PCdoB e PSOL.

sexta-feira 16 de setembro | Edição do dia

Desde o golpe institucional de 2016, o capital financeiro e a grande burguesia nacional e internacional vem impondo seu projeto econômico de ataques aos direitos dos trabalhadores e privatizações, despejando a crise dos capitalistas nas nossas costas e aumentando suas taxas de lucro. Bolsonaro, junto de Guedes, apoiado pelo agronegócio e sustentado pelo grande capital, não deixou seus patrocinadores a desejar e aplicou todas medidas de ataque que estavam ao seu alcance. Não à toa Bolsonaro está recebendo milhões dos barões do agronegócio para sua campanha eleitoral.

Por outro lado, a chapa de conciliação de Lula caminha para assumir o próximo governo dentro do regime herdado do golpe de 2016, com o compromisso de não revogar as reformas e privatizações. Alckmin na vice-presidência é a garantia de tranquilidade para o capital financeiro, e se tornou um porta-voz da campanha petista para assegurar os empresários da indústria de que não se revogará a reforma trabalhista.

Para a esquerda o grande desafio que se coloca neste cenário é enfrentar a extrema direita e o bolsonarismo, assim como os ataques e privatizações, sem cair nas teias da conciliação de classes. Porém, o compromisso da independência de classe está passando longe do horizonte, não só de partidos que sempre foram conciliadores, como PT e PCdoB, mas também do PSOL, que fechou a federação com o partido ecocapitalista Rede, com quem terá um programa político comum e cujos parlamentares, como Marina Silva, ajudará a eleger.

Nesses partidos, o abandono dos princípios da independência de classe e da defesa inegociável do interesse dos trabalhadores não se expressa apenas nas alianças, mas também no financiamento das candidaturas desses partidos, que vêm aceitando doações de banqueiros e grandes empresários. E como diz o dito popular, “quem paga a conta escolhe a música”.

Dentre um dos principais banqueiros que está financiando estas campanhas está Walther Salles Moreira Junior, ex-acionista do banco Itaú, que, segundo o site do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), é o 15º maior doador eleitoral nestas eleições, com um montante total de R$1,15 milhão. Dentre os partidos que mais recebem seus investimentos estão o PT, PCdoB, PSOL e PSB. Sendo Douglas Belchior, candidato a deputado federal pelo PT em São Paulo, o candidato mais beneficiado por esse burguês, com R$150 mil reais.

Na lista de beneficiados por Salles também chama atenção candidatas e candidatos do PSOL, como Henrique dos Santos, candidato a deputado federal no Rio de Janeiro, Roseli Faria, concorrendo a deputada federal no Distrito Federal, além de Marcelo Freixo, que concorre a governador no Rio de Janeiro pelo PSB.

Também é chamativo o patrocínio de Candido Botelho Bracher, 7º lugar no ranking do TSE, para Célia Xakriabá do PSOL, que concorre a deputada federal em Minas Gerais e Marina Silva, candidata a deputada federal pela Rede. Com um total de R$1,6 milhão em doações, Candido Bracher é banqueiro ligado ao Itaú Unibanco. Ambas também recebem doações de Pedro Godoy Bueno, que é CEO do Grupo Dasa, uma das principais empresas da saúde privada no país, 13º maior doador nestas eleições, com um montante total de R$1,28 milhão. Deste empresário que lucra com a privatização da saúde recebem investimentos também partidos de direita como Novo, PSD, União, Podemos, MDB e PSDB.

Outro nome chamativo entre os investidores eleitorais é Armínio Fraga Neto, ninguém menos que o ex-presidente do Banco Central, 10º maior doador segundo o TSE, com um total de R$1,48 milhões. Recebendo deste leiloador internacional da economia brasileira, encontramos nomes como Marcelo Freixo (PSB) e Roseli Faria (PSOL).

Chama atenção também Sônia Guajajara, concorrendo a deputada federal pelo PSOL, que tem como principal doadora Elisa Sawaya, mega empresária sócia de 19 empresas, com R$190 mil. No guarda chuva de Sawaya está também Guilherme Boulos, que concorre a deputado federal pelo PSOL e Orlando Silva de Jesus do PCdoB. Vale mencionar que Orlando Silva tem como maior doador Marcos Joaquim Gonçalves, com R$100 mil, lobista investigado por fraudes e também advogado que defendeu Eduardo Cunha (MDB).

Já a chapa de Lula-Alckmin recebeu R$100 mil de um mega empresário palestino, Shawqi Hilal Mohd Naser, sócio da Viamar International. No site desta empresa seus interesses econômicos estão explícitos "Nosso principal objetivo é promover desenvolvimento de negócios com os commodities mais valiosos da América Latina”.

Para os ciristas e entusiastas do PDT que acham que estão livres dessa chaga, apenas para citar um nome, Pedro Grendene Bartelle. Trata-se de um dos maiores burgueses calçadistas do país, co-fundador da maior fabricante de sandálias do mundo, e é o 4º maior investidor dessas eleições com um total de R$2,87 milhões, ofereceu praticamente um quarto do total de doações para a direção municipal do PDT de Fortaleza, com R$750 mil.

A lista segue com inúmeros nomes de candidatos do PSOL aparecendo entre os beneficiados por esses burgueses que lideram o TOP 20 do ranking de investidores eleitorais, mas principalmente do PT, junto a outros nomes do PDT, PSB e candidatos da direita. De partidos ditos de centro e da direita já era de se esperar, até mesmo de partidos de conciliação como PT e PCdoB que não começaram a se vender nestas eleições. Porém, para partidos como o PSOL, que buscava localizar a esquerda do PT, é mais um atestado de que sua federação com a Rede foi um caminho sem volta.

É impossível defender o direito dos trabalhadores e setores oprimidos, como as mulheres, o povo negro e indígena, sendo financiado por aqueles que os explora, que lucra com seu trabalho, dor e sofrimento, que toma suas terras e retira seus direitos, que se erguem sobre o topo as custas do sangue que jorra na periferia pelas mãos da polícia. A independência de classe, organizativa, política e financeira, é um fator inegociável para luta contra os ricos, os patrões e o estado capitalista.

Esse caminho fortalece os capitalistas. Trata-se de um preceito básico da esquerda independente não receber financiamento dos patrões. A batalha pela independência de classe é permanente, não pode ser "deixada para depois" ou "subordinada" a "primeiro derrotar a extrema direita". Nessas eleições, as candidaturas socialistas e revolucionárias do MRT, através do Polo Socialista e Revolucionário, vão representar essa batalha pelo programa de independência de classes.




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