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Grupo de Estudos Marxismo e Luta de Classes | 30 pessoas participam de Grupo de Estudos sobre Marx e Engels na UnB

Na 1ª sessão do Grupo de Estudos sobre a obra “Marx e Engels”, vários estudantes debateram as bases do marxismo e sua atualidade para enfrentar o bolsonarismo na luta de classes

Caio Rosa Estudante de Relações Internacionais na UnB

sábado 12 de novembro de 2022 | Edição do dia

Estiveram presentes 30 pessoas nesse primeiro dia do novo ciclo de debates, que irá continuar em outras quatro sessões. Participaram estudantes das Ciências Sociais, Economia, Artes Visuais, Serviço Social, entre outros, além de um professor da UnB. Tivemos a presença especial de Vanessa Dias, editora das Edições Iskra e da obra “Marx e Engels”. A discussão, que foi perpassada por um debate vivo e dinâmico, se deu com base no prefácio de Iuri Tonelo ao livro “Marx e Engels” e o clássico “As três fontes e as três partes constitutivas do marxismo” de Vladimir Lênin.

A primeira parte constitutiva do marxismo é a filosofia alemã. Como foi apontado no debate, a partir das constatações das ciências da natureza e suas leis, Marx se apoia na concepção do materialismo de Feuerbach, de que é a matéria que dá base para o surgimento das ideias, e a dialética, a doutrina do movimento e das contradições de Hegel. Ele então as supera, formando uma síntese superior para a compreensão da dinâmica das sociedades com o materialismo histórico-dialético. O feudalismo, sob suas próprias contradições econômicas, dá as bases para a sua superação com o capitalismo. Não se trata de uma “superação” moral ou uma evolução linear da história, mas uma visão dialética: com o acúmulo de contradições no antigo sistema, a partir das suas bases materiais, dá-se lugar a um outro sistema mais complexo, há uma mudança de qualidade, uma síntese.

A segunda parte constitutiva é a economia política inglesa, com a teoria do valor-trabalho de David Ricardo e Adam Smith. Mas onde os liberais clássicos viam apenas trocas de mercadorias, Marx viu relações sociais; a força de trabalho no capitalismo se torna uma mercadoria, vendida em troca do salário, que paga só uma parte da venda desta - apenas o suficiente para a subsistência da classe oprimida, com o excedente sendo expropriado pela burguesia. Aí surge a teoria da mais-valia, fonte de lucro da classe dominante. Com a dialética, a doutrina do movimento, e o materialismo histórico, Marx consegue apreender o funcionamento da dinâmica do capitalismo e suas tendências à crises, guerras e as bases para a revolução socialista.

Por fim, a terceira parte é o socialismo francês, cuja tradição remonta a grande Revolução Francesa, a posterior constituição do proletariado e suas diversas perspectivas de luta em oposição ao capitalismo, com expressão no socialismo utópico. Ao ódio diante da exploração, era necessário uma análise científica do sistema capitalista e a percepção de qual o sujeito social de transformação da realidade: o proletariado. A história da humanidade é a história da luta de classes. Por seu papel na produção, a burguesia criou seu coveiro e aqueles que irão empunhar as armas contra ela própria; a classe trabalhadora é quem tudo produz, e é justamente ela quem pode trazer junto de si o conjunto dos oprimidos, planificar a economia sob outras bases, acabar com a anarquia da propriedade privada dos meios de produção e pavimentar o caminho para uma sociedade sem exploração e opressão, o comunismo. Para isso, é necessário a construção de um partido cujo objetivo é a revolução social.

Também foi apresentado como esse legado de Lênin e dos próprios Marx e Engels, sintetizado por Riazanov, vai na contramão de qualquer reabilitação do degenerado stalinismo, reação às bases da Revolução Russa, ao princípio do internacionalismo, negando a mundialização do capitalismo e seu desenvolvimento; a negação do sujeito revolucionário de nossa época que é o proletariado e da independência de classe; em última instância, da própria análise materialista da história.

Narrativas interessadas (e burguesas) como as “distopias”, de que é mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo; o avanço das novas tecnologias, o suposto “fim do trabalho”, a atual reestruturação produtiva e a precarização trabalhista; a renovada força da ideologia dominante com os meios de comunicação de massas, bem como o crescimento da extrema-direita no Brasil e no mundo - todos esses debates e problemáticas foram colocadas no decorrer da sessão. São questões extremamente atuais que perpassam a juventude, e continuarão sendo tópicos para refletirmos ao longo dos próximos debates.

Diante de uma classe trabalhadora que nunca foi tão extensa absoluta e relativamente, extremamente feminina, negra e imigrante, no entanto fragmentada e sem uma direção revolucionária à altura, a possibilidade objetiva da revolução postulada pelo socialismo científico é incrivelmente atual - a necessária.

A próxima sessão será dia 22/11, com o tema “Materialismo histórico e dialética: o jovem Marx e a filosofia”, na sala 005 do PJC, às 17h30. A bibliografia obrigatória será as três primeiras conferências de “Marx e Engels”, e a complementar será “Introdução à crítica da filosofia do direito de Hegel” e as “Teses sobre Feuerbach”. Você pode conferir a ementa e ter acesso aos textos no seguinte link. Tentaremos aprofundar, a partir do estudo da vida e obra de Marx e Engels, do surgimento da concepção filosófica do marxismo, as lutas teóricas e a atividade militante desses revolucionários, os pilares científicos para nos ajudar a responder essas questões. Esperamos você lá!




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