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IBGE | Contra a precarização do trabalho do Censo: unir efetivos e temporários em assembleias para organizar a luta

Nas ultimas semanas tem chovido denuncias de trabalhadores do Censo 2022, expostos a casos de racismo, assédio sexual, xingamentos, além de uma total falta de assistencia do IBGE, estando todos os dias nas ruas para garantir a realização do processo que dirá como está a população brasileira mesmo sem nenhum direito trabalhista.

sexta-feira 2 de setembro | Edição do dia

Os trabalhadores chegam ao absurdo de muitas vezes terem que pagar para ir trabalhar devido aos atrasos no pagamento tanto dos auxílios transporte quanto da produção em cada setor censitário. Além disso, os recenseadores se encontram também com as dificuldades em relação ao alto número de ausências e recusas dos moradores dos domicílios, impedindo que se possa fechar os setores, já que as regras do IBGE impedem que os setores possam ser fechados com mais de 5% de recusas e ausências.

Porém, o ataque ainda mais brutal é que o IBGE conscientemente deixou os trabalhadores candidatarem-se e iniciarem o serviço achando que pagariam determinado valor, com promessas verbalizadas de ganhar em torno de 2 mil reais trabalhando 8 horas por dia. Na prática, a juventude se candidatou achando que receberia R$ 9,00 por questionário aplicado, detalhe que o IBGE esqueceu de mencionar durante todo treinamento de 1 semana é que esse valor só é válido para questionários em domicílios com no mínimo três moradores. Ou seja, na maioria dos casos os trabalhadores receberão R$ 5,40 para domicílios com 1 morador e R$ 7,48 para domicílios com 2 moradores. Imagine trabalhar quase todo um mês achando que ganharia em torno de R$ 2 mil e do nada saber que o valor pago é quase metade do esperado. Esses valores são válidos desde 01/07, data anterior ao treinamento onde foi deixado a entender valores diferentes.

No dia 1° de setembro, dia de greve nacional dos recenseadores, o Esquerda Diário recebeu uma série de depoimentos de recenseadores que hoje sofrem com tais condições:

“Essa é uma decisão consciente da direção do IBGE, prometer um valor acima, não escrever nada no edital, e depois pagar menos porque daí ninguém tem nada escrito prometendo”.

“Literalmente o IBGE descarregando a crise nas costas da juventude e idosos precarizados ”.

“O IBGE sabia desde o início dos cortes e resolveu fazer o Censo às custas dos trabalhadores, nos empurrando um trabalho super precário sem nenhum direito trabalhista.”

Trechos de depoimentos de trabalhadores do Censo 2022 de Porto Alegre/RS enviados ao Esquerda Diário

A verdade é que o corte bilionário imposto por Bolsonaro à realização do Censo Demográfico 2022 do IBGE se traduzem num orçamento quase 50% menor do que o orçado em 2019 para a realização do Censo, cortes que recaem sobre as costas dos trabalhadores num Censo que cada vez mais se torna a cara da reforma trabalhista. Esses cortes são balizados pelos ataques de Bolsonaro, Congresso e STF, responsáveis diretos pelo bizarro nível de precarização a que os trabalhadores do Censo 2022 estão expostos, um contingente principalmente de desempregados que procuravam renda frente ao profundo cenário de inflação e alto dos preços.

Nós do Esquerda Diário e MRT viemos noticiando tais casos e agitando a necessidade de assembleias em cada cidade para que os trabalhadores possam se organizar, lutando por todos os direitos, contra os atrasos de pagamento e pela correção segundo a inflação das faixas salariais pagas à todos, além de reajustes no auxílios de deslocamento e a garantia de auxílio alimentação. É importante questionarmos mais profundamente o funcionamento do Censo de conjunto para avançarmos na luta pela efetivação de todos os temporários do Censo 2022 sem necessidade de concurso público

A precarização do trabalho atinge tanto os censitários quanto os trabalhadores permanentes do IBGE, por isso essa luta exige unidade entre efetivos e temporários, amplo apoio de todos que utilizam dos dados do IBGE e uma organização verdadeiramente democrática, pela base, em que todos os trabalhadores possam ter sua voz para decidir os rumos do movimento. Além disso, é fundamental que os candidatos nessas eleições declarem apoio à luta dos trabalhadores do IBGE, utilizando da visibilidade das eleições para escancarar a precarização do trabalho que atinge toda a classe trabalhadora.

Por isso, é preciso que as centrais sindicais como a CUT e CTB, dirigidas pelo PT e PCdoB, rompam com sua paralisia eleitoral e cerquem a luta dos trabalhadores do Censo 2022 de toda solidariedade necessária! Nossas demandas só podem ser impostas pela nossa luta, confiando somente em nossas forças, sem aliança com nossos inimigos de classe, como Alckmin, um dos "capitães" da reforma trabalhista, que legaliza condições de trabalho bizarras que estamos submetidos.

Para além de assembleias, uma forte exigência para as centrais sindicais, CUT e CTB, dirigidas pelo PT e PCdoB, coloquem um plano de lutas que mobilize nossa classe para combater a precarização na sua raiz, revogando todas as reformas anti operárias.

Envie sua denúncia ao Esquerda Diário e ajude essas denúncias a chegarem ainda mais longe!




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